segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A ESTRELA DESCE OU PORQUE NÃO VOTO EM DILMA!


Alguns dias nos separam de mais um pleito onde iremos escolher quem vai governar o Brasil nos próximos 4 anos. Ainda tenho registrado na memória os anos de pré-vestibular, onde meu cursinho situado na rua independência em Passo Fundo era vizinho de uma sede do PT. Havia um irmão de um colega que era o responsável pela sede, usava barba, uns óculos tipo John Lennon e uma camiseta vermelha com a afirmativa oPTei. Fiquei maravilhado com seu discurso de mudança, com sua integridade, com suas idéias de divisão de terras e de renda e com o fim da chamada burguesia que eu só conhecia da revolução francesa. Mas o que realmente me chamava a atenção era a fé depositada naquela estrela e nos líderes que levavam ela no peito. Nunca mais encontrei o irmao do Miga, mas ele teve influência nos meus primeiros anos de politização. Logo entrei na faculdade e levei comigo a certeza de que o Brasil mudaria um dia.
No meu terceiro ano, entrei para o diretório acadêmico como secretário de imprensa. Tínhamos alguns colegas do sexto ano já engajados com o socialismo e foi um ano com algumas paralisações contra abusos da universidade e contra alguns professores que não estavam qualificados para o ensino médico. No quarto ano assumi a presidência do diretório acadêmico da Medicina e acabei entendendo um pouco mais da política estudantil, frequentando reuniões no DCE, diretório central dos estudantes, e na reitoria com o reitor e seus subordinados. Descobri a força da união dos estudantes pelo bem comum, mas também o poder por trás da máquina que era a universidade.
O tempo passou, mas o ideal ficou plantado. Na minha cabeça e coração adolescentes acendeu uma chama de esperança de mudança. Já sabia contra quem ia lutar e porque. Nunca, liberdade, igualdade e fraternidade ficaram tão claros. A pobreza um dia iria acabar, não haveria mais bandidagem, apenas homens bons e de braços dados uns com os outros em prol de algo muito maior. Ledo engano.
Hoje vejo que nada mudou, apenas mudaram as moscas. Os que antes lutavam nos portões das fábricas por igualdade de salários, subiram em pedestais e amaram o poder e a glória que dele exala. Os que eram os colarinhos brancos, os marajás e senhores de escravos, não foram punidos, continuam a viver nas casas grandes, mas agora como comensais, aproveitando-se dos restos dos novos senhores do engenho chamado Brasil. E o povo, em um ato muito simples se dividiu. Os que ainda trabalham e sonham com um lugar melhor para os seus filhos e os que sem ter onde cair morto venderam sua alma por uma esmola apelidada de bolsa-família, bolsa-isso ou aquilo e parasitam os que conseguem produzir algo nessa terra que ficou árida de tanto ser explorada.
A igualdade está chegando, mas não como sonhamos um dia. Usando as palavras que ouvi naquela época de faculdade: Vem invadindo nossos jardins, pisoteando nossas flores, matando nossos cães, pilhando nossas casas, porque nos calamos todos esses anos e porque não gritamos já roubaram nossa voz. A igualdade tão sonhada é por baixo, dando valor não a quem tem menos, mas a quem faz menos. Não aqueles que suam no seu trabalho, mas aos que esperam sentados por um milagres na soleira de seus barracos. Esse é um novo tipo de governo, um governo que privilegia os que estudam menos, trabalham menos, sonham menos.
É essa a igualdade que vocês sonharam ? Se for me perdoem! Já parei de sonhar faz tempo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

SEM FUTURO !? (Poeminha XVI)


Diz prá mim porque as coisas são assim
nada mais tem solução
o que antes era saudade agora perdeu a graça
e as pessoas falam em amor por falar
Ninguém quer mais criar coisas boas
Talvez seja egoísmo cuidar apenas de nossa casa,
do nosso eu, do pequeno universo que somos.
Apenas seremos mais um.
Solitários,perdidos,medrosos,inseguros,imperfeitos
As palavras morrem sufocadas pelo
descompasso do coração, que agora bate em vão
doído, machucado pela pessoa desejada.
As pessoas estão cada vez mais sós
acabou a confiança que nunca existiu
a lealdade tomba que nem teto de vidro
ao choque da primeira pedra
Nossa cidade é um pedaço disso
um grão de areia perdido na deserta
miséria do mundo.
Solidários somos na desgraça das massas,
esquivos na fome e na doença do vizinho
Alguma coisa morreu! Uma flor no jardim,
uma canção não terminada
um por de sol perdeu o sentido
a poesia perdeu suas métricas
e o poeta envelheceu de solidão.
Quanto ao amor, deve estar por aí
nos braços de um desconhecido
procurando se encontrar.

sábado, 18 de setembro de 2010

PRIORIDADES


Estou sentado à frente da tv onde passa um desenho qualquer. Gostaria de escrever algo sobre o novo mas só coisas antigas desfilam em minha mente. Gosto do velho, talvez pela idade que vai avançando dia a dia, apesar de minhas atitudes as vezes estarem mais para um adolescente sonhador do que para um adulto que não tem muito tempo para pensar porque passa quase o tempo todo trabalhando. Ontem à noite fui ao CTG de Lucas e assisti a uma sessão da camara realizada naquele local para homenagear a revolução farroupilha. Um vereador conhecido fez um discurso bem razoável para o momento e falou em revolução de costumes, familiares, de caráter. Quais são nossas prioridades? Falou também no valor que temos que dar aos filhos e criticou nossa vida corrida sufocada por computadores e toques de celulares. Lindo discurso,mas pensei que não serve para minha vida. O meu celular dorme ao lado da cama, me acompanha ao banheiro e fica me observando o dia todo impassível, esperando que eu o atenda prontamente a qualquer toque. Não posso abandoná-lo. Sou seu escravo graças a profissão que eu escolhi. Não, não estou me queixando da minha profissão, mas me recordo que há poucos anos o telefone não saia do lugar, ficava abandonado em nossa casa ou no local de trabalho, e tinhamos momentos dedicados exclusivamente à família. Depois veio o bip, o pager e o celular que acabou com nossa paz e nossa capacidade de ter uma vida propria. Não atender o telefone hoje significa deixar de atender alguem que precisa de cuidados e quando por um motivo ou outro não atendo passo de herói a vilão, de alguem confiável a um qualquer.
A alegria da vida fica em segundo plano. Os encontros com amigos, o futebol dos sábados a tarde, a música e a literatura, escondidos em algum canto esperando que um dia não muito distante voltem a fazer parte desse mundo novo e antigo que coloca a gente em uma engrenagem que não sai mais do lugar. Enquanto isso o mundo se perde por aí em algumas dessas esquinas que só alguns privilegiados podem dobrar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

QUANDO SETEMBRO VOLTAR

Lembro da minha infância e da importância de setembro nela. Um mes antes já começavamos a ensaiar para o desfile do dia 7. Todos os dias tinhamos pelo menos dois períodos da aula para o ensaio. Marchávamos como militares ao som da banda marcial do colégio e éramos cobrados na postura, no alinhamento e nas gracinhas que sempre alguém teimava em fazer. Na época sobrava orgulho em representar a escola e homenagear a independência. Talvez o orgulho em relação ao Brasil fosse forçado, reprimido, imposto, mas não tinhamos nenhuma noção que as pessoas morriam e desapareciam na escuridão dos porões da polícia do governo. Apenas amávamos o país e pronto. Brasil, ame-o ou deixe-o! Era o lema a ser seguido e nós acreditávamos nesse amor sem saber realmente o seu significado. Com o passar dos anos descobrimos que muitas dessas pessoas que deixaram o país, o amavam mais que os senhores que inventaram a frase. Uma vez o presidente Emílio Médici foi visitar sua terra natal, por coincidência, minha também e eu estava mal, febril, mas estava lá de bandeirinha na mão esperando aquele que mais tarde eu descobriria que era um dos chefes dos carrascos da ditadura. Quase desmaiei de febre, mas estava orgulhoso demais para isso. Outra lembrança boa era a banda do colégio, a melhor banda da cidade, que fazia evoluções enquanto tocava clássicos da música popular e suas balizas dançavam e faziam evoluções. Era platonicamente apaixonado por uma delas e ainda tinha minha prima que era mascote e que eu fazia questão de acompanhar. Bons tempos! Mas o melhor da festa era a chegada do vinte de setembro na comemoração da revolução farroupilha, onde loucos como Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi e outros, sonharam com um estado independente e sem os impostos cobrados pela união. Dessa data temos um orgulho que ultrapassa as fronteiras e o que é interessante, o Rio Grande ainda sofre com a falta de emprego e muitas cidades vivem em uma pobreza absoluta e, mesmo assim, continua cultivando sua tradição e comemorando este dia como se realmente tivesse ocorrido uma vitória e mudado os rumos da história. Os tempos mudaram! As datas continuam as mesmas, mas as comemorações perderam o sentido. As escolas apenas tentam manter o respeito à pátria fazendo algumas homenagens. As crianças caminham e nao desfilam e não há mais o sorriso nos lábios, apenas a obrigação de estar naquele local representando sua escola. Os maus políticos mataram o espírito patriótico com suas falcatruas, escândalos, roubos e falsas promessas de um Brasil melhor. Hoje cada um defende o seu e o povo já aprendeu isso, visto o número de pessoas despreparadas candidatas a uma vaga na assembléia. Tudo virou uma brincadeira. A primeira mulher a ser presidente da república poderia ser uma pessoa mais brilhante, sensata e humana e a oposição deveria ser um pouco mais inteligente, já que José Serra não tem empatia nenhuma para enfrentar qualquer um, quanto mais alguém manipulado pelo simpático e destemido presidente Lula. Quem sabe daqui a alguns anos surja um movimento novo baseado na justiça, no bem comum e na valorização da educação e do trabalho. Aí sim, nossos filhos e netos poderão voltar a exaltar com orgulho os símbolos e os heróis desse amado país e esperar um novo setembro.

domingo, 5 de setembro de 2010

DOS DIAS DE HOJE( poeminha XV)


Tenho escrito pouco
Escrever é bom, me acalma
e traz paz a minha alma
abro uma cerveja e sorvo
cada gole com prazer
o mesmo prazer que ainda sinto
com teus beijos e carinhos
Você fica tão feia brava
mas teu sorriso é tão lindo
Teus olhos castanhos sorriam
e me deixam feliz apesar dos dias ruins
Dos teus que são meus também,
dias de guerra!
Você está perto e longe
é tão simples e complicado
Estamos juntos e muitas vezes separados
Quase marcamos hora para o encontro
Uma rua, uma hora,
um passo de cada vez
Adianto, atraso e nada
O relógio é cruel
e nao gosta da coincidência do encontro
Você também sabe ser cruel
Os dias passam lentos
quando você não está neles
e voam quando à noite
meu olhar cruza com o teu
O beijo é roubado, partido
Você foge,
mas também é promessa de dias perfeitos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

DOIS LADOS

É preciso percorrer infinitos caminhos para buscar explicação lógica para os sentimentos que regem a vida. A infinita bondade de Deus e a suspeita bondade dos políticos; o doce acúcar que circula nas artérias de um diabético e seu amargo cotidiano; os encontros que nos enlouquecem e as despedidas sem adeus; a emoção de um linda melodia e o sucesso das palavras sem nexo; a exatidão da loucura e a embriaguês dos que se julgam sóbrios.Há no mínimo dois lados ou dois caminhos a escolher. É preciso caminhar sempre em frente, mas com um olho no passado. Um passo de cada vez sem esquecer dos pais, dos avós que nos deram o primeiro tijolo para o alicerce que construimos. Em um mundo tão frio como esse não é possivel negar carinhos, abraços e sorrisos. Somos feitos da mesma massa, mas são as atitudes, os pequenos gestos que nos diferem. Reconhecer limites, driblar os obstáculos, e seguir em frente mesmo que feridos, estrangulados, pisoteados, mas seguir. O sol nasce a cada dia sem cobrar nada e aquece, ilumina a todos da mesma forma, mas sujamos o ar, destruímos o ozônio e ficamos a mercê das mazelas e dos dissabores dos seus efeitos mais perigosos. Plantamos coisas boas, colhemos dificuldades. Semeamos coisas ruins, e podemos viver o resto de nossas vidas de colarinho branco, em reuniões infindas, decidindo quem nos serve e quem deve ir embora. Qual o segredo da vida? Que caminhos escolher? Procuramos escolher o melhor rumo, mas os ventos erram a direção e acabam nos levando para portos desconhecidos, inseguros. Naufragamos em águas rasas mas sobrevivemos as mais terríveis tempestades. Vez por outra nos sentimos amordaçados, de coração apertado, como se fosse nosso derradeiro momento. De repente, um sorriso, um abraço, uma ligação e tudo muda. A alegria e a tristeza se confundem e sempre uma delas sairá vencedora. Nós apenas nos conformamos e sonhamos que amanhã, com certeza, será um dia melhor.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

DA SOLIDÃO(Poeminha XIV)


Tua ausência me machuca
você está ao meu lado, mas me tira o chão
Flutuo sem ter onde pousar
sem seus braços para me abraçar
O silêncio enche meu coração
e no vazio das suas palavras
me perco como um dicionário em branco
que não tem valor algum
Fico quieto, desisto, insisto
numa batalha só minha
porque o dragão não está mais ali
apenas o moinho de vento me observa
quixote, sonhador
tentando num sopro de vida
ainda respirar seu ar
Apesar disso quero você, desejo você!
linda,brava, excitada, depressiva,
voz e gestos fortes
porque perto de mim posso zelar por ti
posso beber do teu sorriso
mergulhar neste mar que são seus olhos
e nunca mais morrer de frio